Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
finanças, jornal i

Os azares acontecem, mas, ao contrário do que muitos acreditam, é possível planeá-los, em particular se forem imprevistos financeiros. Os especialistas em finanças pessoais concordam que a criação do fundo de emergência é tão importante como a redução da dívida. Um fundo de emergência é uma reserva de dinheiro que está pronta a entrar em acção caso surja um acontecimento inesperado que exija capital. A perda do emprego, uma despesa médica substancial, uma reparação grave na casa ou no carro e uma factura surpresa do fisco são exemplos de ocorrências que justificam a mobilização do fundo de emergência. A compra de um carro novo, a remodelação da casa ou as próximas férias já não devem usar esse fundo, porque poderiam ser planeadas antecipadamente.

Quanto reservar na espera pelo inesperado? Normalmente, os especialistas apontam que o fundo de emergência deve garantir entre três e seis meses de despesas correntes. A razão é simples: a emergência financeira mais usual surge quando se perde o emprego e três ou seis meses é quanto se demora a arranjar outro trabalho ou a começar a receber o subsídio de desemprego. Basta imaginar as necessidades financeiras que precisaria de satisfazer se perdesse o emprego para perceber a importância da reserva financeira.

Embora os três a seis meses sejam uma referência, deve estudar o seu caso particular. Se tem filhos ou dívidas, pondere incrementar a sua margem de segurança por mais alguns meses. Se é solteiro, não tem dívidas ou se está bem protegido com seguros (saúde, responsabilidade civil, vida ou outros) pode aligeirar o fundo de emergência.

Não pense que, caso aconteça um imprevisto, não precisará obrigatoriamente de uma reserva. Na altura da emergência, os bancos podem estar num aperto (como agora), o que os levaria a restringir o crédito. Além disso, as instituições de crédito não gostam de emprestar dinheiro a quem está com dificuldades financeiras. Em alternativa, talvez possa recorrer à sua família ou aos seus amigos para lhe emprestarem o capital necessário para sair da aflição. É arriscado contar com isso: quando precisar do dinheiro, os familiares e amigos também podem estar numa situação de emergência - e, naturalmente, satisfarão as suas necessidades primeiro, antes de lhe darem crédito.

Perto mas pouco acessível A regra fundamental para o seu fundo de emergência é que tem de ser rapidamente mobilizável, porque os imprevistos não esperam. O ideal é que, após a sua ordem de movimentação, o dinheiro fique disponível na sua conta à ordem entre um e dois dias depois. O destino do seu dinheiro também deve exigir aplicações reduzidas, porque é pouco provável que consiga constituir a sua reserva rapidamente. Aliás, não tenha pressa: o truque é começar devagar. Deverá demorar algum tempo até acumular o suficiente para um mês de despesas, quanto mais três ou seis meses.

As contas de poupança são os instrumentos ideais porque, além de simples e não terem comissões, os bancos não exigem muito para a constituição (250 euros, em média) e os reforços podem ser baixos (a começar nos 25 euros). As taxas de juro são muito reduzidas - actualmente cerca de 0,5% entre os maiores bancos -, mas essa é uma característica secundária na constituição de um fundo de emergência.

Se não se importar de ter algum trabalho, pode optar por uma estratégia mensal usando depósitos a prazo, cujas taxas de juro são ligeiramente superiores às das contas de poupança. Contudo, não aplique o dinheiro todo num único depósito a prazo: divida o dinheiro pelo número de meses que quer que a sua poupança garanta. Por exemplo, se tem 3000 euros como fundo de reserva de seis meses, constitua depósitos a prazo de 500 euros que se vençam em Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro. À medida que os depósitos se vencem, deve pôr o dinheiro num novo depósito a seis meses. Deste modo, terá sempre um depósito a vencer-se no prazo máximo de um mês. A desvantagem deste modelo é que o seu fundo de emergência passa pela sua conta à ordem, ao contrário da conta de poupança, o que pode ser uma provocação ao seu desejo consumista.

Se ter dinheiro no banco é uma grande tentação para si, opte por certificados de aforro. Após a primeira subscrição, pode reforçar a poupança (no mínimo de 100 euros) através do sítio aforronet.igcp.pt e do Multibanco ou do serviço electrónico do seu banco. Contudo, quando precisar do dinheiro, terá de ir a uma estação dos Correios, o que reduz qualquer estímulo de resgate que não seja destinado a satisfazer uma emergência. A limitação dos certificados está na impossibilidade de conseguir o reembolso antes dos primeiros três meses.

A sua reserva de emergência também pode residir num fundo de tesouraria, como o Espírito Santo Monetário, um dos fundos portugueses preferidos da Morningstar, uma firma independente de avaliação de fundos. Basta um dia útil para reaver o dinheiro amealhado, 250 euros para a primeira subscrição e 100 euros para os reforços.

Qualquer que seja a solução para aplicar a sua reserva, é importante que não haja risco de perda. O objectivo do fundo de emergência é reduzir o risco e o stresse da sua vida financeira - e não o oposto.



publicado por fernando alves às 23:57
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