Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
paulo gomes no "i"

LUÍS XIV percebeu a importância da moda e nomeou um ministro para essa pasta. Ministro da Moda, assim mesmo se designava o cargo. Provavelmente o primeiro e último que houve. Competia-lhe dizer o que a corte francesa devia vestir e usar. Foi uma decisão eficaz: a França passou a ditar a moda e a exportá-la para todo o mundo. Mais de 300 anos depois esse cargo ministerial parece adaptar-se como uma luva a Anna Wintour: ela quer, pode e manda. Fornece "receitas", cria "génios", gere "modas". Muitos conhecem-na como a Princesa do Gelo e todos a temem.

Há quem diga que se é na moda o que ela consentir. Talvez seja exagero. Anna é a protagonista do mais recente documentário de R. J. Cutler, "The September Issue", ganhador do Grande Prémio do Júri no último Festival de Cinema de Sundance. O filme, que teve uma adesão incrível do público durante o festival, acompanha Anna Wintour na preparação da edição de Setembro de 2007 da "Vogue" americana, da qual é directora há mais de 20 anos. Contracena com Grace Coddington, a estilista de fotografia de moda com mais créditos no mercado, conhecida pelo seu cabelo cor de fogo e a consciência artística de Anna.

Percebe-se que entre ambas existe uma dinâmica que retrata a velha equação arte - comércio. Ainda sem estreia comercial marcada, "The September Issue" promete deliciar os mais ligados à moda. Quem aprecia um bom retrato de bastidores também não vai ficar indiferente a este trabalho feito com muita arte.
 


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publicado por fernando alves às 23:56
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
charles darwin

Macaco é a sua avó. E a minha também. Culpa de Charles Darwin, cujo bicentenário comemora-se esta semana, assim como os 150 anos de ‘A Origem das Espécies’. Para se avaliar o impacto do aniversariante, basta pensar que, na altura, ainda prevaleciam os cálculos do prelado irlandês James Ussher. Este, depois de uma vida inteira de estudos exaustivos, anunciou que a Criação do Mundo ocorrera em 26 de Outubro de 4004 a.C., às 9 da manhã.

 

Bem, hoje os astrofísicos estimam que o Big Bang foi há 13,7 biliões de anos, e que a vida na Terra brotou há 4 biliões de anos. Antes de Darwin, o consenso era de que os dinossauros se tinham extinguido porque não cabiam na arca de Noé. Claro: a reacção foi o fim da macacada. O bispo de Oxford perguntou-lhe: 'Mr. Darwin, o senhor pretende descender do macaco por parte do pai ou da mãe?' Darwin adiou imenso a edição da sua obra-prima, onde propõe que as espécies são seleccionadas através de variações favoráveis devidas ao acaso.

 

De excelente carácter, e embora acabasse a vida como um afável agnóstico, Charles sofria com o desgosto que causava à mulher, Ema. Esta, uma cristã fervorosa, achava que, por causa das teorias do marido, ambos passariam a Eternidade separados: ela no Céu, com querubins e harpas, ele no Inferno.

 

podem ler a crónica toda do paulo nogueira no correio da manhã de hoje.



publicado por fernando alves às 23:09
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Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
mudar de casa

estes dias são dias mudança. deu-me imenso pazer voltar a folhear o dna e reler textos que adoro!

 

 



publicado por fernando alves às 14:36
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009
humor negro

o humor negro é o melhor remédio para a crise, sobretudo se for arsénico. A GM baixou de patente: Sargento Motors. as montadoras tornaram-se desmontadoras. e a Ford lançou um carro que já vem com ar condicionado, direcção assistida e quatro ex-funcionários.

 

vejam toda a crónica do paulo nogueira no correio da manhã de hoje.



publicado por fernando alves às 21:48
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009
the inauguration

dentro de 48 horas e pelos próximos quatro anos (no mínimo, e salvo uma bala na testa), um negro será o anfitrião da casa branca[...] podem continuar a ler aqui o texto de paulo nogueira, preto no branco, no correio da manhã de hoje.



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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
quando a crise entra em crise

crónica do paulo nogueira na revista de domingo do correio da manhã.


Austero e monástico como a crise manda, em vez de passar o réveillon em St. Barths sujeitei-me estoicamente a Paris. Ao menos nos Champs-Élysées a dona crise baldou-se. Percebo que a avenida fervilhe à noite, à grande e à francesa, com as luzes feéricas do fim-de-ano. Mas ao meio-dia, aquela multidão quilométrica a serpentear à porta de uma espelunca chamada Louis Vuitton? Já ouviu falar? 


Dá calafrios só de pisar no seu passeio, de tão extorsiva que é. Pergunto a uma ruiva ergonómica, que organiza aquele caos, a razão da histeria. Saldos? Ou Carla Bruni vem aí? A coisinha fofa explica-me que, simplesmente, não cabe toda a gente lá dentro. E a crise? Ela encolhe os ombros de porcelana. Filas nos dois McDonald’s da artéria já faz todo o sentido. Mas o Fouquet’s também entupido? Foi nesse restaurante que Sarkozy celebrou o brilharete eleitoral em 2008. Regresso à loja sumptuosa, a ruminar no que a ruiva fará logo à noite. A galinha dos ovos de ouro da Vuitton, cujas receitas quadruplicaram nos últimos dez anos, chama-se Marc Jacobs.

 

Ideólogo da marca desde 1997, conferiu-lhe um ar modernaço, da Nova Iorque de ‘O Sexo e a Cidade’, rompendo com as tias emergentes de Miami. Anna Wintour, a lendária directora da ‘Vogue’ americana (calcificada por Meryl Streep n’ ‘O Diabo Veste Prada’), achou que a contratação não ia resultar, mas errou. Antes de ele lá desembarcar, aquilo era só uma empresa de acessórios – hoje, é um totem da moda. Não que os trapinhos da Vuitton sejam um sucesso comercial – representam apenas 10% dos lucros. Mas são um marketing talismânico. E foi Jacobs quem, em 2003, recrutou o artista plástico japonês Takashi Murakami para reciclar as malas da marca. As carteiras brancas, com o monograma colorido da Vuitton, venderam de caras 300 milhões de dólares. (Lembrei-me agora daquela velhota no ‘Telejornal’: 'Se não fossem os carteiristas no Metro, eu não tinha vida sexual!'). Moral da história? O talento é sempre o mais sábio investimento. Jacobs trocou o seu apartamento em Paris (do tamanho de uma caixa de ferramentas) por uma vivenda na zona mais nobre da cidade, com vista para a Torre Eiffel (onde uma casa de dez assoalhadas está anunciada por 6,7 milhões de euros). Volto a Portugal a amaldiçoar-me por não ter telefonado à ruiva aerodinâmica. Ah, sim, e por falar em malas, descubro às minhas custas de que são feitos os anéis de Saturno. Da bagagem perdida pela TAP.



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Terça-feira, 21 de Outubro de 2008
paulo nogueira no correio da manhã

conheci o paulo nogueira com 'o independente' nas crónicas 'penso rápido'. estas crónicas deram origem a um livro, que emprestei ao meu irmão, e que nunca mais o vi!

o paulo que é autor de vários romances (todos bons e com imensa piada) escreve agora na revista de domingo do correio da manhã.

isto tudo porque gosto de divulgar as minhas coisas (e este blog também serve para fazer os meus registos).

 

neste domingo a crónica foi sobre o mundo pós-crise.

 

O Ocidente virará o disco? Baixará à Segunda Divisão? Degeneraremos em albaneses, com tudo estatizado? O filósofo Chomsky, que apesar de americano gosta menos dos EUA que bin Laden e Hugo Chávez juntos, carpiu: 'Não pensem que o capitalismo vai acabar'. Nos anos 80, Thatcher e Reagan salmodiaram um mantra: 'O governo não é parte da solução, é parte do problema!' Hoje, Sarkozy, da mesma canoa ideológica, diz o que há 3 meses seria uma blasfémia: 'A ideia de que os mercados têm sempre razão é pirada!'

 

E aos EUA (que sovaram dois totalitarismos, o nazi e o soviético) – o que mais irá acontecer? Paul Krugman, estrela do ‘NYTimes’ e novo Nobel da Economia, gemeu: 'Agora somos uma república das bananas!' As dívidas imobiliárias de 10 milhões de famílias americanas superaram o valor das suas casas – e equivalem a 140% do PIB nacional. A saída será um governo planetário, que agregue China e emergentes? Ora, este parece tão quimérico como o Esperanto. O vazio de poder é óbvio. Bush? Exangue. A União Europeia deu a enésima demonstração de incompatibilidade de génios, alienando um tempo vital (o único airoso foi o agora chamado 'Flash' Gordon Brown). No olho do furacão, entidades como o FMI, o Banco Mundial e o próprio G-7 pareciam baratas tontas. A globalização é o diferencial – inexistente em 1929 e incipiente na bolha pontocom. Uma bolha insuflada por apartamentos na Flórida infligiu um apocalipse monetário até na idílica Islândia.

 

Num humor negro, um gaiato chegou a pôr a Islândia no site de vendas e-bay. O anúncio ressalvava que 'a Gronelândia e a cantora Björk não estão incluídos'. Mudança de eixo? A China tem uma 'arma atómica financeira': os 'treasuries', 520 biliões de dólares em títulos do Tesouro americano. Será o XXI o século da Ásia? Vários bancos (não só americanos) emprestaram e torraram dinheiro sem lastro. Um consenso quase tautológico: é imperioso um novo manual de instruções para o casino global. Ou as injecções de capital serão como enxugar gelo. Façamos figas para que esta crise acabe, antes de a próxima começar.

 

quarta-feira de cinzas

 

O governo dos EUA socorreu com 85 biliões de dólares a seguradora AIG, prestes a falir. Uma semana depois, a AIG esbanjou 443 mil dólares (110 ordenados mínimos portugueses) numa festa para os seus executivos num sumptuoso resort na Califórnia. Incluiu golfe, manicura e massagens. Perdido por um...


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publicado por fernando alves às 22:27
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